domingo, 22 de julho de 2012

PROPOSTA DA PESQUISA

O projeto propõe uma pesquisa para criação de um SOLO visando compartilhar, junto ao público, a vivência do corpo que se relaciona com o movimento da natureza cíclica do universo. Tal proposta pretende sinalizar a atuação as forças opostas (queda e ascensão, empurrar e ceder, mobilidade e imobilidade, expansão e retração, etc.) no corpo, as quais alteram sua estrutura e suas relações com o seu entorno. Assim, a tensão das forças opostas é condição para que o movimento possa existir, e este, por sua vez, pode representar o princípio de alternância e periodicidade da natureza. Desse modo, o corpo, agente e sujeito dessas forças, intui que entre repetições, deformações e transformações, há algo permanente em sua própria essência: a capacidade de renovação perante as adversidades, estas também cíclicas.

A pesquisa será inspirada no livro A Água e os Sonhos, de Gaston Bachelard e nos textos que aparecem em O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa).

O estudo da imaginação elaborado por Bachelard, baseado nos quatro elementos da natureza (A Psicanálise do Fogo, O Ar e os Sonhos, A Terra e os Devaneios da Vontade e A Terra e os Devaneios do Repouso), servirá de embasamento teórico do projeto. O ”livro da água” receberá maior atenção por sua grande relação com a respectiva pesquisa, pois este elemento parece ser o que mais se relaciona com a transitoriedade da natureza: “A água é realmente o elemento transitório. É a metamorfose ontológica essencial entre o fogo e a terra. O ser voltado à água é um ser em vertigem. Morre a cada minuto, alguma coisa de sua substância desmorona constantemente.” (BACHELARD, A Água e os Sonhos, 1989, p. 7). Já Alberto Caeiro, o ”poeta da natureza”, vem para potencializar a questão da superação do corpo e suas metáforas, pois este compreende a vida como perpétua sucessão e renovação dos elementos.

O projeto será realizado em conjunto pelos bailarinos Yiuki Doi (interprete, pesquisador e criador) e Cintia Napoli (orientadora da pesquisa) e dará continuidade a investigação em linguagem cênica que a desCompanhia de dança denominou “fisicalidade poética”. Mais do que aquilo que é visto, interessa ao grupo proporcionar para o público assim como para o intérprete, a possibilidade de transcender a percepção inicial do corpo em estado cênico por meio da imaginação, da metáfora e da poesia. A pesquisa também se dará na miscigenação da dança com outras linguagens performativas (vídeo, texto falado, interação com o público, etc.), pois o grupo avalia que esses entrelaçamentos, quando bem aplicados e elaborados, enriquecem as manifestações artísticas. O estudo da imagem, fotografia, psicologia e fenomenologia que vem sendo aprimorado dentro do processo de criação da desCompanhia de dança nos últimos anos, servirá de suporte para o desenvolvimento de pesquisa para criação do solo “Água Leve Pesada”.

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